NÃO SOU "EVANGÉLICO" !

"PORQUE NÃO SOU "EVANGÉLICO"
Ao ler a afirmação do título pela primeira vez, alguém pode se questionar “Será que o Lessandro, se desviou?”, ou “Será que aconteceu algo com ele pra ele deixar de ser evangélico?” Para esse alguém, prontamente, respondo que não é esse o caso. Eu, Lessandro, não me desviei para nenhum outro caminho. Entretanto, muitas coisas têm acontecido para que, hoje, eu recuse o uso de tal alcunha. Muitas coisas horrendas são praticadas em nossos dias por aqueles que, garbosos, têm prazer em ostentar o nome de “EVANGÉLICOS”.
O problema estará na terminologia? Com toda certeza, não é esse o problema. O termo “evangélico” está profundamente ligado ao Evangelho de Jesus Cristo. Originalmente, ser evangélico era ser adepto, seguidor e amante do Evangelho do Senhor Jesus Cristo. O minidicionário Houaiss da língua portuguesa define o vocábulo “evangélico” como: “1. relativo ao Evangelho 2. relativo às diversas igrejas e correntes protestantes 3. indivíduo que segue uma corrente protestante”. Ao observar essa definição creio que o problema está no item 2 (relativo às diversas igrejas e correntes protestantes). Passo, agora, a expor com mais detalhes o que quero dizer com a minha negação pessoal de ser evangélico.

Ao negar que sou evangélico, estou negando meu envolvimento com a conotação que o termo tomou atualmente. Estou negando minha concordância àquilo que é tão comum entre as “diversas igrejas e correntes protestantes”.

Primeiro tais “evangélicos” nem imaginem contra o quê devem protestar. Na verdade, relegaram a história da Reforma Protestante à categoria de acontecimentos pertencentes a uma espécie de “arquivo-morto”. A grande maioria nem sabe quem foi Lutero. Sou um convertido jovem, mas sei de um tempo onde os cristãos tinham prazer em ler e degustar as obras de Lutero, Calvino, Knox, e tantos outros. Mas, hoje, nem sequer sabem quem foram esses servos de Deus. Percebam que me refiro a eles como “servos de Deus”. Isso é necessário porque alguns ignorantes podem questionar: “Quem foi Lutero? Ele foi apenas um crente como qualquer outro. Isso é idolatria!” A verdade é que Lutero não foi um crente como qualquer. Antes, foi um gigante da fé, devotado a Deus e a Cristo de todo o seu coração. Lutero foi alguém que colocou em prática o princípio do Sola Scriptura. O mesmo pode ser dito a respeito dos outros que foram mencionados (e também dos que não foram). É triste que os “evangélicos” de nosso tempo não entendam isso.

Em segundo lugar, não sou evangélico porque os “evangélicos” de hoje abandonaram a Bíblia para seguirem seus próprios corações pecaminosos. Abandonaram o porto seguro da Palavra de Deus para se fundamentarem na mais imunda espécie de corrupção. Alguns anos atrás, as igrejas combateram com uma veemência tremenda o Movimento Nova Era (extremamente místico; a religiosidade do terceiro milênio). Acontece que esse movimento está esquecido no meio evangélico brasileiro. Pergunto, por qual razão? Não será porque os evangélicos hoje são tão místicos quanto os adeptos da Nova Era? Creio que sim. Portas ungidas, rosas ungidas, reuniões de oração em objetos de uso pessoal, êxtase, músicas que mais parecem mantras, e muitas outras barbaridades (a lista é quase interminável). Além disso, outras práticas não autorizadas pela Bíblia são comuns . Alguns “líderes e pastores evangélicos” começaram a apelar para HERESIAS como: “O ser humano não é depravado. Ele é maravilhoso! Você é maravilhoso. Portanto, não aceite quando alguém disser que você é pecador!”. Dá vontade de rir e de chorar diante de tal afirmação. De rir por causa da pretensão, que chega a soar como ridícula; e chorar por causa da ignorância e das trevas presentes nesse coração. Certamente, os judeus e os gentios que mataram o Filho de Deus eram maravilhosos; “evangélicos” que mantêm casos extraconjugais são maravilhosos. Isso é absurdo, pois contraria as palavras de alguém que apesar de santo, via a si mesmo como alguém miserável (Romanos 7.24). O irônico é que se aparece alguém querendo defender uma interpretação sadia da Bíblia esse alguém é rotulado como “puritano”, “fundamentalista” e outras coisas do tipo. Não sabem os “evangélicos” que, quando me rotulam dessa forma, estão me prestando um grande favor. É uma honra ser enquadrado na mesma categoria de homens como John Owen, John Bunyan, Richard Baxter, George Gillespie, Richard Cox, Thomas Hooker, William Perkins e tantos outros. Obrigado apedeutas!

Os “evangélicos” também têm sérios problemas com a obediência às autoridades instituídas e constituídas por Deus. Além da desobediência à Lei de Deus, que é comum aos seres humanos, os nossos irmãos possuem a anarquia como estilo de vida. Foi-se o tempo em que pastores (fiéis à Palavra de Deus) eram respeitados. Rebelam-se contra a Eclesiologia revelada no Novo Testamento por Cristo e os apóstolos. REBELDIA! E tal pecado é tão grave quanto a feitiçaria (1 Samuel 15.23). Estupidez? Possivelmente.

Em terceiro lugar, não sou “evangélico”, pois, ao contrário deles, não sou “apaixonado por Jesus”. Na verdade, recuso-me a ser apaixonado por Ele. Em uma determinada ocasião vi alguem afirmar o seguinte: “Diga que você é apaixonado por Jesus! Se já é gostoso dizer para um ser humano que você é apaixonado por ele, certamente, é mais gostoso ainda dizer que somos apaixonados por Jesus!” Apaixonado por Jesus? Que tragédia é essa? Desde quando um sentimento carnal é apropriado pra servir como expressão de nosso relacionamento com nosso Senhor e Salvador? O Dicionário da Língua Portuguesa diz que a paixão é um “sentimento ou emoção levados a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e à razão”( Sentimento excessivo; amor ardente; afecto violento; entusiasmo; cólera; grande mágoa; vício dominador; alucinação). Desde quando nosso sentimento em relação a Jesus é destituído de lucidez e razão? esse tipo de coisa mais parece possessão demoníaca. Sentimento assim é encontrado nas religiões místicas, e, até onde sei, Cristianismo não é misticismo. Pelo contrário, o Cristianismo demanda entendimento, o uso da razão e lucidez. Além disso, será por acaso que o vocábulo “paixão” seja derivado do mesmo termo grego que “doença”? Acho que existe uma razão plausível para isso, razão desconhecida por muitos “evangélicos”. Não sou “evangélico”, pois AMO a Cristo. Não sou apaixonado por Ele. Eu o amo. É isso que as Escrituras ordenam. Vale salientar ainda que, o amor, de acordo com a Palavra de Deus é definido em termos de obediência aos mandamentos de Deus (2 João 4-6). Não entendo como alguém pode se dizer “apaixonado por Jesus” e ter prazer em lhe desobedecer. Por melhor que seja a intenção em se declarar paixão a Jesus, boas intenções são diferentes de noções corretas.

Quarto, não posso ser considerado como “evangélico” pois nunca recebi a “unção dos animais” que alguns têm recebido hoje. Uma cantora “evangélica” recebeu uma tal de “unção do Leão” (cada vez mais Distante do Trono). Outros, membros de igrejas EVANGÉLICAS, estão recebendo todo tipo de unção: da lagartixa, do sapo, do jumentinho que Jesus usou para entrar em Jerusalém. Confesso que dói relatar isso. Dói ser enquadrado no mesmo grupo que aqueles que defendem tais coisas.

Quinto, não quero ser chamado de “evangélico”, porque quando algum escândalo estoura na mídia todos são colocados na mesma categoria. Quando determinados super-teleevangelistas são pegos em pecados escandalosos, a culpa é estendida de maneira generalizada. Aí, outro sério problema aparece. Muitos “evangélicos” podem dizer o que já disseram tantas e tantas vezes: “Você não pode julgar as pessoas! Você não é Deus para fazer isso! Leia Mateus 7.1!” Rio diante da possibilidade de tal argumento ser levantado, pois ele é, simplesmente, ridículo e, acima de tudo, falso, revelando uma compreensão falaciosa de uma afirmação da Bíblia. Os “evangélicos” que vociferam que não posso julgar ninguém precisam me explicar, coerentemente, como essa afirmação se harmoniza com as seguintes afirmações de Jesus: “Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça” (João 7.24), “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem” (Mateus 7.6), e ainda, “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos de abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus” (Mateus 7.15-17). Agora pergunto: como discernir quem é cão e quem é porco? Como saber quem é falso profeta? Como ter certeza de que uma árvore é boa ou má? Certamente, algum tipo de julgamento se faz necessário. É preciso julgar sim, julgar pela reta justiça.

Em sexto e último lugar, não sou “evangélico” porque o Edir Macedo também o é. Sem falar os quais, são acima de tudo, “donos de igrejas”. E para eles e muitos outros “donos de igrejas” são pertinentes as palavras: “Donos de igrejas são pequeninos anticristos”. Sei que sou tão pecador quanto eles, talvez até mais do que todos eles. Mas, além de discordar de suas práticas, faço minhas as palavras do apóstolo Paulo: “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1 Timóteo 1.15).

Concluo com a afirmação daquilo que sou, tomando por empréstimo essas palavras.
SOU CRISTÃO-PROTESTANTE- Sou servo de Cristo, eleito por Deus Pai e alvo da obra do Espírito Santo. Amo o meu Senhor!. Sou de uma igreja, que reconheço, bíblicos os princípios do sistema. Por isso, afirmo com gratidão a Deus: SOU Cristão!
Será que os “evangélicos” ainda sabem ler? Espero que pelo menos conheçam a função das aspas. Como diria Charles Haddon Spurgeon, “se a carapuça serviu, use!”
Que Deus tenha misericórdia de todos nós!"

1 comentários:

Regina 13 de maio de 2009 14:40  

*Otimo site! concordo com vc!!!*

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Curiosidades.

O nome "Bíblia" vem do grego "Biblos", nome da casca de um papiro do século XI a.C.. Os primeiros a usar a palavra "Bíblia" para designar as Escrituras Sagradas foram os discípulos do Cristo, no século II d.C.

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